Um jantar e o peso de glória

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Preparar um belo jantar à luz de velas para o meu marido é, para mim, uma alegriae sei que ele ficará imensamente feliz quando chegar em casa! Na verdade, toda a minha dedicação em passar a tarde preparando com carinho a salada, o prato principal, a sobremesa, o ambiente, me deixaram cada vez mais ansiosa para o momento de sua chegada. Desejei esse momento ao longo do dia. Imaginei sua alegria ao encontrar a mesa posta e servida à francesa,as pequenas velas dispostas simetricamente, a sala arrumada diferente do usual e com perfume de gengibre adocicado no ar.

Finalmente ele chega e o som da chave na porta é nítido. É inexplicável a minha alegria ao perceber a sua alegria. Em ver a satisfação dele comigo, sua apreciação daquilo que eu havia feito. Quem disse que a alegria de um deve excluir a do outro? O servir que nos dá prazer não é egoísmo, mas amor. Quando nos dedicamos a alguém porque isso nos alegra, estamos demonstrando nosso amor por este alguém. Se não nos alegrássemos em servir com toda a certeza é porque não temos amor por quem servimos. Assim, aquele que diz “Se você ama outra pessoa de verdade, mas sente autossatisfação nisso, é egoísta” ou não entendeu o que é amar, ou ignora a realidade.

John Piper costuma exemplificar mais ou menos assim: quando ele dá um buquê de flores para sua esposa e ela diz “Que lindo John! Por que você me trouxe este lindo buquê?”, se ele dissesse “Porque é minha obrigação como seu marido te trazer isto”, ela se sentiria ofendida e toda a alegria acabaria ali. No entanto, se ele respondesse “Porque eu te amo e me alegra te dar este presente”, ela não se sentiria ofendida mas ficaria ainda mais honrada em saber que o marido fazê-la feliz faz com que ele próprio assim se sinta.

Todo cristão ama. Aqueles que se dizem cristãos e não amam não podem se intitular desta forma. E o objeto supremo de nosso amor é o próprio Deus. Por isso, agradar a Deus nos faz feliz, porque O amamos. Assim, todo sofrimento não tem valor em si, mas até mesmo os sofrimentos podem nos alegrar porque o que sustenta isso é o amor grato que temos para com Deus. Abster-se do sexo extramatrimonial, ou não roubar um objeto de valor, ou falar a verdade, por exemplo, pode ser algo penoso e difícil, mas fazer a vontade de nosso Senhor e ser motivo de satisfação dEle nos alegra acima disso porque O amamos acima de todas as coisas.

Se imaginar a satisfação de meu amado marido comigo ao chegar em casa e descobrir um jantar especial me faz ansiosa durante todo o dia e me traz tamanha alegria agradá-lo, muito mais é o anseio por satisfazer Jesus Cristo, meu eterno amado.

Desta forma, compartilho intimamente os pensamentos de C. S. Lewis quando escreve:

E isso é suficiente para elevar nossos pensamentos para o que pode ocorrer quando a alma redimida, além de toda esperança e praticamente além da convicção, descobre por fim que agradou a Deus, aquele para cujo beneplácito ela foi criada. [...] Agradar a Deus… ser um verdadeiro ingrediente da alegria divina… ser amado por Deus, não simplesmente digno de pena, mas ser usufruído como a obra em que um artista se deleita, ou um pai no filho – isso parece impossível, é um peso de glória, ou ônus, que nossos pensamentos mal podem suportar. (LEWIS, 2008, p.41-42)*

Bruna M. P. Simone
Integrante do Grupo de Estudo de Apologética e Teologia Natural,
coordenado pelo Prof. Jonas Madureira

*LEWIS, C.S. O peso de glória. São Paulo: Editora Vida, 2008, p. 41-42.

 

 

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